Meta descrição (158 caracteres): O split payment segue sem data certa e o RAD ganha força como alternativa para 2027. Entenda os dois mecanismos e o impacto no fluxo de caixa da empresa.
Palavra-chave foco: split payment RAD reforma tributária
Atualizado em: 17 de setembro de 2026
Resposta direta: Split payment é o mecanismo que separa automaticamente o valor do imposto no momento do pagamento de uma operação, direcionando-o diretamente aos cofres públicos, enquanto o fornecedor recebe apenas o valor líquido. Como a entrada em vigor do split payment segue sem data certa, a reforma prevê também o RAD, o Recolhimento pelo Adquirente, mecanismo em que o comprador recolhe o tributo diretamente quando o meio de pagamento não permite essa segregação automática. Os dois mecanismos têm impacto direto no fluxo de caixa de quem vende.
O adiamento de uma mudança tende a gerar o mesmo efeito em quase toda empresa, a sensação de que dá para deixar para depois. Com o split payment, essa reação é compreensível, mas arriscada. O mecanismo não sai do cronograma da reforma, e um mecanismo próximo dele, o RAD, já está sendo usado como argumento em negociações comerciais mesmo antes de qualquer cobrança valer.
O que é o split payment
Na prática, o split payment separa automaticamente a parcela de imposto no momento do pagamento. A instituição financeira identifica o valor devido de tributo em cada transação e o direciona diretamente para os órgãos públicos, enquanto o fornecedor recebe apenas o valor líquido da operação, já sem a parte do imposto.
O que é o RAD, e como ele se relaciona com o split payment
O RAD, Recolhimento pelo Adquirente, entra em cena quando o meio de pagamento usado não permite a segregação automática do split payment. Nesse caso, é o comprador (o adquirente) quem recolhe o tributo diretamente, o que extingue o débito da operação e libera o crédito correspondente para as partes envolvidas. Funciona como uma alternativa ao split payment, não como a mesma coisa com outro nome.
O que mudou: adiamento e uma primeira fase mais restrita
A entrada em vigor do split payment segue sem data certa. Notícias de setembro de 2026 indicam que, quando a primeira fase começar, ela deve ficar de fora de operações com cartão e do varejo, concentrando-se em transações entre empresas (B2B), o que confirma a leitura de que o modelo vai começar de forma mais restrita do que o desenho inicial sugeria. Com essa incerteza, o RAD ganhou espaço nas discussões entre empresas como o caminho mais concreto para 2027.
Por que isso importa para o caixa da empresa, não só para o jurídico
Hoje, entre o momento em que a empresa recebe o valor de uma venda e o momento em que recolhe o tributo correspondente, existe uma folga de caixa, ainda que pequena. Com o split payment ou com o RAD, essa folga desaparece, ou pior, pode se inverter: se o RAD for aplicado antes de a empresa conseguir aproveitar créditos tributários de suas próprias compras, o descasamento entre o que ela recebe e o que ela realmente tem disponível em caixa pode ser relevante, especialmente para empresas com alto volume de créditos a recuperar. Especialistas em tributação já apontam esse risco como um dos pontos mais sensíveis do desenho atual do RAD.
O risco de virar cláusula padrão em contrato
Um ponto que vem sendo discutido por especialistas é o risco de o RAD virar uma exigência padrão em contratos, imposta pelo comprador a qualquer fornecedor, independentemente do risco real de inadimplência tributária. Usado dessa forma, o mecanismo criado para proteger o crédito do comprador pode comprometer a liquidez de fornecedores que nunca deram motivo para essa proteção (voltamos a esse ponto no artigo 4, sobre contratos).
O que fazer com o tempo que sobrou
O adiamento é uma oportunidade, não uma desculpa. Vale simular o impacto do split payment e do RAD no fluxo de caixa da empresa, considerando o perfil de vendas (majoritariamente para outras empresas ou para consumidor final) e o volume de créditos tributários que a empresa costuma ter a recuperar.
Perguntas frequentes
O split payment já está em vigor? Não. A entrada em vigor segue sem data certa, e a primeira fase, quando começar, deve ficar de fora de cartão e varejo, concentrando-se em operações entre empresas.
O que é RAD, em uma frase? É o mecanismo pelo qual o comprador recolhe o imposto diretamente na operação, usado quando o meio de pagamento não permite a separação automática feita pelo split payment.
O RAD é obrigatório para toda venda? Não necessariamente. Especialistas recomendam que seja reservado a fornecedores com risco real de inadimplência tributária, e não usado como cláusula padrão em qualquer contrato, pelo impacto que pode ter no caixa do fornecedor.
Isso afeta empresas do Simples Nacional? O tema é mais relevante hoje para empresas do regime regular, mas como o IBS e a CBS passam a integrar as regras do Simples Nacional a partir de 2027, vale acompanhar como o split payment e o RAD serão tratados para quem está no Simples nessa data.
Entender o impacto jurídico e financeiro do split payment e do RAD antes que eles comecem a valer é mais barato do que se ajustar depois. Fale com a equipe tributária da A&A Prado.
Ver também: Reforma tributária e revisão de contratos
